Linha 1 – Plasticidade muscular e exercício físico
No âmbito das adaptações musculares, o GABEF tem realizado estudos sobre a lesão muscular (muscle damage) induzida pelo exercício de força. O desenvolvimento desta linha no GABEF conta com a colaboração do Professor Kazunori NOSAKA (Edith Cowan University - Australia). Os principais projetos vigentes investigam o efeito do volume total da sessão de treino (tonelagem) sobre os processos de lesão muscular, inflamação e dor muscular de início tardio. Ainda no músculo esquelético, outro foco de interesse são as adaptações moleculares (expressão gênica e proteica) induzidas pelo exercício de força. Em colaboração com o Grupo Estudo e Pesquisa em Adaptações Neuro-musculares ao Treinamento de Força (GEPAN), coordenado pelos Professores Carlos Ugrinowitsch (EEFEUSP) e Valmor Tricoli (EEFEUSP), O GABEF estuda a ativação de vias intracelulares relacionadas à plasticidade do músculo esquelético em resposta aos diferentes modelos de exercício/treinamento de força (treinamento de força com oclusão, treinamento de potência, treinamento excêntrico).
Linha 2 - Monitoramento da carga de treinamento
Outra linha de investigação do GABEF está relacionada ao processo de avaliação e monitoramento da carga de treinamento. Recentemente, Impellizzeri et al. (2004,2005) propuseram um modelo teórico para explicar o complexo processo de treinamento. Para estes autores, as adaptações induzidas pelo treinamento são fruto do nível de estresse imposto ao organismo (carga interna de treinamento) que, por sua vez, será determinado pelas características individuais e pela qualidade, quantidade e organização das variáveis agudas do treinamento (carga externa de treinamento). Este modelo preconiza que as adaptações decorrentes do treinamento são dependentes e proporcionais ao estímulo da carga interna. Diversos parâmetros podem ser utilizados para avaliar a sobrecarga interna de treinamento, por exemplo, o perfil hormonal (cortisol, testosterona, GH, etc), a concentração de metabólitos (lactato e amônia) e o comportamento da frequência cardíaca. As respostas hormonais e metabólicas provocadas pelo exercício físico são objeto de estudo do GABEF. Alguns projetos do grupo abordam(ram) o perfil hormonal em resposta aos diferentes modelos de exercício físico (Tênis, Basquetebol, Tae-kwon-do, Nado sincronizado, Exercício de força). Outro parâmetro utilizado para avaliar a carga interna de treinamento, proposto por Foster et al. (1998,2001), é a percepção subjetiva do esforço (PSE). O método da PSE da sessão (Session-RPE) utiliza a escala de Borg (CR-10) para avaliar a intensidade global do treino. Alguns projetos do GABEF avaliaram este método de quantificação da carga interna de treinamento no tênis e no exercício de força. Projetos futuros do grupo pretendem monitorar o treinamento físico de atletas (Tae-kwon-do e Basquete) e indivíduos fisicamente ativos, utilizando o método da PSE da sessão. Atualmente, o GABEF mantem colaboração com o Professor Aaron Coutts (University of Technology Sydney - Australia), que divide o mesmo interesse nesta área de investigação. O papel dos nutrientes sobre a carga interna de treinamento também tem sido estudado pelo GABEF. Alguns projetos do grupo utilizam a suplementação nutricional (carboidratos e aminoácidos) como estratégia para atenuar aspectos deletérios relacionados à sobrecarga interna e maximizar o desempenho.